Separar a pessoa física da jurídica é fundamental para não prejudicar  sua empresa e nem sua vida pessoal

Separar a pessoa física da jurídica é fundamental para não prejudicar sua empresa e nem sua vida pessoal

Empreendedor, como você gerencia o dinheiro do seu negócio?  Já separou suas contas pessoais das contas do empreendimento? Saiba que pensar sobre isso é muito importante, uma vez que misturar as finanças da empresa com as pessoais é um dos principais erros cometidos pelo empresário que está começando e, por isso mesmo, um comportamento que você deve evitar.

Organizar as contas e definir, desde o começo, os parâmetros financeiros da sua gestão do caixa é fundamental para que o dinheiro da sua empresa não seja usado para custear seus gastos pessoais e para que suas reservas também não sejam usadas para socorrê-la.  Quando não é feito um planejamento prévio e, não se define com clareza de onde virão os investimentos, é muito comum que o patrimônio da família seja comprometido.

 

Com reflexo desta falta de educação financeira corporativa é comum ver o empreendedor usando o cartão corporativo para pagar suas contas pessoais, usando os recursos da empresa para beneficiar sua família e pegando todo o lucro para comprar imóveis, carros e fazer viagens ao invés de investir parte dele na expansão do negócio. O que não veem é que são exatamente estes tipos de comportamentos que, em curto e médio prazo, podem levar a derrocada do seu empreendimento.

É hora de separar Pessoa Jurídica da Pessoa Física

 

Sei que com tantas coisas para cuidar, gerenciar e administrar em seu negócio, em alguns momentos você pode até pensar que a divisão do lucro pode ficar para um segundo momento. Entretanto, tenho que lhe informar que esta é uma decisão que não pode ser adiada, pois ela tem a ver diretamente com a saúde financeira da sua empresa e com a cultura organizacional e financeira que você está criando para ela.

Como fazer? Para organizar esta questão e trabalhar com base em parâmetros claros, é essencial que se defina um valor x a ser retirado mensalmente por você e por seus sócios, caso os tenha. Para isso, é importante conhecer quais são as suas alternativas, estudá-las e definir qual delas melhor se encaixa no planejamento financeiro da sua empresa.

Conheça os tipos de retiradas de dinheiro

 

Pró – Labore

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Bakhtiar Zein/Shutterstock O Pró-labore é o valor pago pelo trabalho que o empreendedor realiza!

Em se tratando dos sócios, o valor pago por suas atividades é chamado de pró-labore, do latim “pelo trabalho” remuneração que é diferente de um salário comum. Sobre ele, por exemplo, não é obrigatório o pagamento de férias, direitos trabalhistas, décimo terceiro e fundo de garantia (FGTS).

O pró-labore é definido com base nas atividades administrativas que associado faz na empresa e geralmente esta ligação é oficializada por meio de um contrato social, onde todos são definidos como administradores ou apenas um dos membros é indicado. Geralmente, o montante pago é definido com base nas atividades que a pessoa exerce. Para facilitar isso, muitas vezes a lógica seguira é a do valor que seria pago a um colaborador pelas mesmas funções.

Ponto de Atenção – Sobre o pró-labore recaem determinados impostos que dependendo do regime tributário da sua empresa podem acabar inflacionando-os. Para você ter uma ideia, só de INSS são 11%, e este valor pode aumentar ainda mais caso o seu negócio seja optante por Lucro Presumido ou Lucro Real.

 Dividendos

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Elegant Solution/Shutterstock Na política de dividendos o lucro é dividido entre os sócios

Diferente do pró-labore, os dividendos representa a divisão do lucro da empresa entre os seus acionistas. Caso, sua organização opte por este modelo, todos os meses os sócios serão pagos de acordo com o que a empresa lucrar. Se, por exemplo, o negócio teve um ganho de 100 mil reais e são 5 associados, serão 20 mil para cada um.

Entretanto, como empresário eu tenho uma visão diferente, acredito que ao invés do empreendedor ficar com todo o dinheiro é sempre importante fazer uma gestão dos recursos e reinvestir parte do lucro no crescimento do negócio.

Isso fortalece a empresa, ajuda em sua expansão, a que você possa investir em melhorias e inovações, vencer gaps nos processos na gestão de pessoas e a potencializar seus resultados o que, consequentemente, aumentará os seus lucros também e será ainda melhor do ponto de vista financeiro.

Ponto de Atenção – este modelo é mais usado por empresas que atuam com ações no mercado, onde os sócios nem sempre se conhecem e nem sempre vão entrar em acordo quanto a reinvestir parte dos lucros na empresa. Fique atento e veja se este tipo de retirada é o melhor para o seu negócio mesmo.

Salário

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Pretty Vectors/Shutterstock Salário também é uma forma de remunerar o empreendedor

Mesmo sendo os donos da empresa, muitos empreendedores ainda gostam de chamar de “salário” a retirada mensal que fazem. Aqui é ainda mais fundamental definir o valor a ser retirado já que a palavra salário soa como um dinheiro que pode ser usado de maneira geral, o que pode acabar misturando as finanças profissionais e pessoais e bagunçando o orçamento.

Embora não seja entendido como um pró-labore, defende-se que para estipular o valor do salário, o ideal é avaliar as funções desempenhadas pelo empresário e, comparar ao valor que seria pago a um profissional na mesma posição que ele. Portanto, se atuar como uma espécie de diretor financeiro pesquise e veja qual é o salário pago no mercado atualmente.

Ponto de Atenção – Se ainda assim você considerar o valor insuficiente ou injusto é preciso avaliar outras formas de retirada, como a divisão dos dividendos, por exemplo.

Minha dica 

 

Sabemos que uma empresa, especialmente no início, pode passar meses ou até mesmo um ano sem ter nenhum lucro efetivamente. Com isso, o empreendedor, muitas vezes, é obrigado a investir seu próprio dinheiro para manter o seu negócio vivo, o que pode prejudicar a qualidade de vida da sua família e suas contas pessoais.

Para evitar que isso aconteça, o ideal é fazer um bom planejamento financeiro tanto pessoal como profissional, definir os valores investidos na empresa (que não podem ser mexidos) e buscar separar ao máximo os recursos do negócio daqueles referentes às suas finanças pessoais.

Com este objetivo, é importante que você construa um fundo de reserva para sua vida pessoal, ou seja, que tenha um montante Y para passar pelos meses de instabilidade mais tranquilamente.  Se, por exemplo, sua família tem um gasto mensal de 2 mil reais, o mais adequado é que você tenha 6 vezes este valor guardado, ou seja, 12 mil reais para bancar suas despesas pessoais pelos próximos seis meses.

Isso é uma forma de separar a pessoa física da pessoa jurídica e vice-versa e de não deixar que ambas as personas se prejudiquem mutuamente. Como disso lá no início, misturar o dinheiro da empresa e fazer dele a fonte de investimentos e pagamentos pessoais é um dos principais erros que os empreendedores cometem e uma das atitudes que prejudicam demais o negócio.

Portanto, é importante desenvolver uma cultura financeira positiva, jamais misturar finanças pessoais e empresariais, saber administrar os resultados de forma assertiva e ter pensamentos e atitudes que levem a empresa a crescer em todos os sentidos.  Para isso, respeite as regras, seja disciplinado em suas retiradas e faça sempre com responsabilidade, pois quando você retira mais do que o estipulado está prejudicando tanto a si mesmo como ao seu negócio.