Pessoas com necessidades especiais podem ser empreendedoras?

Pessoas com necessidades especiais podem ser empreendedoras?

A acessibilidade entrou na pauta das discussões mais relevantes em relação ao mercado profissional há algum tempo, pois cada vez mais pessoas têm buscado por oportunidades de trabalho e recebem recusa devido a deficiências físicas. Uma das soluções que muitos que enfrentam essa situação encontram é apostar no empreendedorismo.
 

Acessibilidade e Empreendedorismo – Histórias de Quem Conquistou a Liberdade Profissional

 
Se já é difícil conseguir soluções de acessibilidade para deficientes em estabelecimentos comerciais enquanto clientes é ainda mais complexo convencer possíveis empregadores a contratar pessoas que são portadoras de necessidades especiais. Nos últimos anos, o Brasil assistiu ao crescimento do número de empreendedores com algum tipo de deficiência.
 
Conforme uma pesquisa realizada pelo Sebrae, em torno de 27% dos empreendedores brasileiros tem alguma deficiência e, desse grupo, 94% realizam suas atividades por conta própria e sem sócios. Ainda analisando esse grupo, o Sebrae observou que cerca de 6% oferecem empregos e quase metade realizam seu trabalho em casa.
 

A Trajetória de Andrea Schwarz e Jaques Haber na Criação da i.Social

 
Um dos principais exemplos de empreendedorismo aliado à vontade de aumentar a discussão acerca de acessibilidade é do casal Andrea Schwarz e Jaques Haber, que fundou a empresa i.Social. Um dia, Andrea teve um mal súbito e, simplesmente, deixou de sentir as pernas, no hospital o diagnóstico apontou uma má-formação da medula espinhal que havia tornado a jovem paraplégica.
 
Após o longo período de adaptação à nova vida, sempre ao lado do então noivo Jaques, Andrea descobriu que não é nada fácil encontrar acessibilidade para deficientes e não estou me referindo apenas a escadas, mas falta de espaço de circulação adequado para cadeirantes, banheiros adaptados, entre outros problemas. Foi esse sentimento de frustração do casal que fez com que eles partissem para o primeiro projeto com foco na acessibilidade.
 

Guia São Paulo Adaptada

 
O primeiro projeto recebeu o nome “Guia São Paulo Adaptada” e foi lançado no ano de 2000, com foco na apresentação dos estabelecimentos da cidade que ofereciam acessibilidade e conforto para deficientes. As coisas aconteceram de maneira improvisada e o casal conseguiu patrocínio mais com sorte do que planejamento. Foi esse projeto que impulsionou o desejo dos dois se tornarem empreendedores sociais.
 
Contudo, o que Andrea e Jaques descobriram é que não era nada fácil seguir esse caminho e que eles teriam dificuldade em conseguir investimento para o projeto. Foram muitos meses de procura de empresas que acreditassem no sonho social de inclusão sem que houvesse uma resposta satisfatória. Andrea, hoje, reconhece que toda essa dificuldade foi essencial para o crescimento sustentável da i.Social.
 

i.Social

 
A empresa i.Social é uma consultoria focada em empregabilidade de pessoas com deficiência. A ideia surgiu da observação que o casal fez de que, se por um lado, as organizações não queriam investir em projetos de acessibilidade, por outro estavam obrigadas a contratar pessoas com deficiência devido a Lei de Cotas.
 
A companhia criada por Andrea e Jaques já posicionou no mercado de trabalho mais de 10 mil profissionais com alguma deficiência. Foram desenvolvidos mais de 500 programas de inclusão focados em áreas como treinamento, palestras, programas de carreira, entre outros.
 

Vagas Inclusivas

 
A empresa social ganhou um braço online através do portal Vagas Inclusivas, que reúne currículos dos candidatos cadastrados da i.Social. O objetivo é tornar mais fácil o acesso das empresas a profissionais com algum tipo de deficiência para incluir em seus quadros.
 

Publicações

 
O casal direcionou sua energia ainda para a criação de mais duas publicações relevantes no setor de acessibilidade para deficientes: “Guia Brasil Para Todos” (livro que reúne dicas de turismo para pessoas com deficiência, indicando as melhores cidades para conhecer no país) e “COTAS – Como vencer desafios da contratação de pessoas com deficiência”.
 

Outra História de Acessibilidade e Empreendedorismo

 
Assim como Andrea, outras pessoas foram levadas ao caminho de empreendedorismo devido a condições impostas por alguma deficiência. Um dos casos é o de Luana Cavalcante que, ao chegar ao último ano do curso de graduação em moda no Rio de Janeiro, se viu sem nenhuma oportunidade de estágio.
 
As vagas simplesmente sumiam quando a jovem contava que era portadora de paralisia cerebral, tendo que usar andador e cadeira de rodas. Observando que dificilmente seria inserida no mercado de trabalho, a jovem criou a sua própria marca de roupas, “Sweet Angels”, que é direcionada para pessoas com deficiência.
 
O diferencial das peças é contar com fechamento com velcro lateral, tornando o momento de ir ao banheiro ou se vestir muito mais simples. Luana tornou o que é visto como um problema uma solução para a sua falta de oportunidades no mercado de trabalho. Além de ajudar a tornar a rotina de pessoas que enfrentam dificuldades como as dela no dia a dia mais fácil, ainda se tornou uma empresária.
 
As histórias que apresentei sobre o empreendedorismo focado em acessibilidade para deficientes são muito inspiradoras para quem deseja se tornar um empresário. Deixe seu comentário a respeito do tema e compartilhe com seus amigos!