A relação entre a mulher e o empreendedorismo por Carol Sandler

A relação entre a mulher e o empreendedorismo por Carol Sandler

Quem nunca sonhou em montar o próprio negócio e não ter mais chefe? Trabalhar apenas com o que gosta, ser dono da sua agenda e parar de trabalhar para os outros? Especialmente nesta crise econômica, o empreendedorismo aparece cada vez mais como uma alternativa de sonho para muitos brasileiros.

No entanto, empreender não é algo tão trivial assim. Exige muito planejamento e estratégia. Ao abrir o negócio próprio, você deixa de ter um único chefe e passa a ter dezenas (ou centenas) deles: os clientes. Para completar, é tão difícil abrir uma empresa e fazê-la sobreviver que o empreendedor acaba, invariavelmente, tendo que se envolver nas mais diversas áreas do negócio, do operacional ao financeiro, do RH ao marketing.

Ainda assim, esta é uma opção de carreira que tem atraído cada vez mais as mulheres. Segundo dados do Sebrae, o empreendedorismo feminino aumentou 34% em 14 anos, e mais de 7,9 milhões de brasileiras abriram micro e pequenas empresas. De acordo com levantamento da Global Entrepreneurship Monitor, em 2014, 51,2% dos novos negócios eram mulheres.

Muito se fala sobre a questão do equilíbrio entre carreira e família, e este é um dos motivos mais apontados para este aumento do interesse das mulheres para o empreendedorismo. Afinal, ao empreender, a mulher passa a ser dona da sua agenda e consegue administrar os compromissos com maior flexibilidade. A carga de trabalho aumenta quando o negócio (e as responsabilidades) são suas, mas é inegável que fica mais simples de conciliar tudo.

Contudo, existe um lado que é menos discutido, mas cujo impacto potencial é ainda maior para as mulheres: o impacto financeiro. De acordo com o IBGE, ainda existe uma diferença salarial de 28% entre homens e mulheres no Brasil. Este porcentual é uma média, e a taxa sobe conforme avança o grau de escolaridade das mulheres. Para mulheres com grau superior completo, a diferença salarial é de quase 35%. E este é um problema que deixa de existir quando a mulher se torna dona do próprio negócio.

Com isso, o empreendedorismo é uma via fantástica para a mulher alcançar a independência financeira de forma mais fácil. Mas para estas mulheres chegarem lá, é fundamental ter uma boa base de gestão e educação financeira. Tanto para a pessoa física, quanto para a jurídica, saber planejar as finanças é uma necessidade.

O assunto ainda é tabu para muitas mulheres, e vejo que uma grande parte delas terceiriza a gestão financeira do negócio para maridos ou contadores. No entanto, desta forma elas se colocam em uma posição de extrema vulnerabilidade. Sem dominar as finanças do seu negócio, uma empresária não consegue planejar o seu crescimento. Sem o controle das finanças pessoais, uma empresária corre o risco de a sua desorganização financeira pessoal contaminar a saúde do seu negócio.

Falar de dinheiro é diferente para homens e mulheres. As mulheres enfrentam toda esta série de desafios, enfrentam responsabilidades diferentes e foram educadas para tratar de dinheiro de outra forma. Por isso, criei o site Finanças Femininas – lá, contextualizamos os desafios enfrentados pelas mulheres e trazemos dicas de finanças específicas para o gênero. Oferecemos matérias gratuitas e uma série de cursos online para ajuda-las a organizar suas vidas financeiras e planejar seus sonhos. Acesse e compartilhe estes conhecimentos com outras mulheres – eles podem ser a chave para o nascimento de uma nova empreendedora.

Carol Sandler é a criadora do Finanças Femininas, o primeiro site do Brasil de empoderamento feminino através da educação financeira