O que todo empreendedor precisa saber  sobre Pró-labore?

O que todo empreendedor precisa saber sobre Pró-labore?

Já parou para pensar em como um empreendedor, empresário ou administrador de uma empresa é remunerado pelo trabalho que realiza? Tenho certeza que sim. Muitos acreditam que basta tirar uma parte dos lucros e sair gastando por aí como se não houvesse amanhã, que está tudo resolvido. Porém, não é bem assim, o cenário é um pouco mais complexo que isso e requer cuidados para que não sejam cometidos erros bobos e que podem prejudicar e muito os negócios no futuro.
 
Neste sentido, faz-se necessário compreender o conceito de pró-labore, como aplicá-lo dentro da organização em que você atua, principalmente se for uma sociedade empresarial, e quais os maiores erros cometidos por muitos empresários e empreendedores, que têm feito negócios promissores fecharem as portas mais cedo do que o planejado.
 

O que é Pró-labore

 
Numa empresa constituída por sócios, em que cada um exerce uma função específica, existe a necessidade de remunerá-los, de forma justa, para que nenhum saia ou se sinta prejudicado. O pró-labore, faz parte dos custos empresariais, e é exatamente esta remuneração, que é paga aos sócios pelas atividades administrativas que realizam dentro da organização.
 
É importante lembrar, que o pró-labore não pode ser confundido com salário, apesar disso acontecer com certa frequência, pois, apesar de fazer parte das despesas administrativas, o seu custo não engloba o pagamento de direitos trabalhistas como normalmente acontece com os colaboradores que trabalham conforme as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
 
Outro ponto de atenção é referente à necessidade de constar no contrato social da empresa os administradores ou o administrador a quem o valor do pró-labore será direcionado. Além disso, é importante saber também que aquele que recebe pró-labore, pode ter 11% desse valor retido, para recolhimento de INSS. Esta porcentagem pode variar dependendo do tipo de regime tributário no qual a empresa se encaixa.
 

Como calcular?

 
Uma das principais dúvidas sobre este assunto trata-se dos critérios para se calcular o valor do pró-labore, já que estamos falando de algo que não tem um teto ou um piso salarial bem definido, como ocorre com os demais colaboradores da empresa. Neste sentido, o que você pode fazer é, junto ao seu departamento de Recursos Humanos, fazer uma pesquisa de mercado e analisar o valor pago a um profissional que exerça as mesmas atividades que o sócio-administrador da empresa está desempenhando.
 
Além disso, o que pode ser feito também é definir um valor razoável, que esteja acima do que é pago aos demais funcionários, mas que não ultrapasse a capacidade financeira da empresa. Lembre-se que tudo isso deve ser feito em comum acordo entre os sócios, para que não ocorram desentendimentos entre as partes no futuro e para evitar também possíveis prejuízos para a organização.
 

Não misture as coisas

 
O primeiro objetivo de uma empresa é se manter no mercado, lutar para vencer a concorrência, que não dá folga nem por um minuto. Isto deve estar bem claro na cabeça da pessoa que deseja partir para um empreendimento solo. Não é fácil posto que grande parte dos futuros empreendedores acredita que domina toda arte de empreender e comercializar. Muitos têm a certeza de que a empresa é para ganhar dinheiro que podem misturar contas pessoais com contas empresariais e tudo ficará sempre bem.
 
O problema diante disso é que em algum momento a “confusão” estará armada e a empresa que, gera os recursos financeiros, pode acabar indo à falência enquanto o empreendedor faz retiradas de forma avulsa e usa o que é arrecadado para pagar despesas pessoais. Para evitar este tipo de situação, é primordial que todo empreendedor saiba que:
 
1. Não se mistura dinheiro do empreendedor com o dinheiro da empresa e vice-versa.
2. A empresa precisa de capital de giro para pagar funcionários e comprar suprimentos ou mercadorias.
3. É necessário ter uma reserva técnica para eventualidades como quebra de máquinas e reposição de equipamentos.
4. A empresa não poderá estar numa situação crítica financeiramente enquanto o empresário ou empreendedor faz retiradas à revelia. Se assim proceder logo os dois estarão na iminência de enfrentar um processo de falência.
 
Estes detalhes às vezes são difíceis de fazer o empreendedor entender, pois normalmente ele acredita que é tudo a mesma coisa, ou seja, empresa e empresário são um só. No entanto, para se empreender, torna-se necessário estabelecer um planejamento estratégico financeiro, focado no desenvolvimento da empresa, principalmente nos seus passos iniciais.
 

Por que o empreendedor não pode misturar o seu dinheiro com dinheiro da empresa?

 
A empresa é um ser vivo movimentada por pessoas e todo sucesso ou problema que houver, afetará a vida desses trabalhadores, que fazem parte do processo e que virão a sofrer as consequências dos problemas existentes. Daí a necessidade de se respeitar o planejamento estratégico financeiro, não afetando o caixa da empresa com retiradas fora da hora com argumento de que se é o dono.
 
Em suma, pró-labore é o pagamento que uma pessoa ou mais pessoas recebem pela sua coragem em investir no seu sonho de empreender, gerando emprego para outras pessoas. Não pode ser misturado o dinheiro da empresa com o dinheiro do empreendedor, fique sempre atento a isso, pois isto pode ser fonte de conflitos quando empresa é societária e os gestores não possuem a devida maturidade que determina onde a empresa está e onde ela pode chegar com capital financeiro próprio.
 
O empresário ou empreendedor deve saber também que a chave do caixa está em suas mãos e que ele sofrerá as consequências tanto no sentido positivo ou negativo se movimentar a chave para o lado errado. Pense nisso! Estas orientações são o mínimo que o empreendedor precisa no momento de investir, para não correr riscos desnecessários. O resto é muito trabalho, característica de vida empresarial rumo ao sucesso.
 
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