Crise na Saúde ou Crise Econômica?

Crise na Saúde ou Crise Econômica?

Caro leitor, estamos vivendo um dos maiores desafios que a humanidade já passou!

Você sabe, não preciso vir aqui falar sobre o que é o COVID-19 e todo o impacto que ele está trazendo para a vida da população mundial, não é mesmo? Você já ouve muito sobre isso nas mídias convencionais.

Você não precisa de mais do mesmo!

O que eu venho falar aqui é sobre um ponto que virou o foco de discussão nos últimos dias: 

CRISE NA SAÚDE OU CRISE ECONÔMICA: O QUE É MAIS PERIGOSO PARA O BRASIL?

Antes de definir um vencedor, precisamos entender o que está em jogo nos dois lados da mesma moeda.

Quem está dizendo que o perigo maior está na crise da saúde, defende que esse vírus é extremamente perigoso e precisa ser contido o quanto antes – muitas vidas estão sendo perdidas e muitas ainda estão por vir.

Eles acreditam que a quarentena absoluta deve ser mantida até que o sistema de saúde consiga encontrar uma cura definitiva para acabar com essa doença.

Por outro lado, quem defende que o maior perigo está na crise econômica, entende que a paralisação vai trazer falência de empresas, alto índice de desemprego e, consequentemente, instabilidade financeira.

Eles acreditam que a paralisação total é um vírus silencioso que vai matar muito mais pessoas no Brasil ao longo dos próximos 5 anos!

Bom, através desses argumentos, fica difícil definir qual dos dois lados é mais perigoso para nosso país, certo? Ambos fazem sentido.

Então, o que podemos fazer para tirar nossas próprias conclusões é analisar esse cenário por uma outra perspectiva – fatos e estatísticas!

ESSES SÃO OS NÚMEROS QUE VOCÊ PRECISA ANALISAR PARA CHEGAR A UMA CONCLUSÃO RACIONAL!

Vamos começar com os números de contaminação e mortes que o COVID-19 está trazendo para o cidadão brasileiro.

De acordo com as Secretarias Estaduais de Saúde, do dia 26 de fevereiro (primeiro registro de contaminação por aqui) até o dia 25 de março (data em que escrevo esse artigo) o Brasil contabilizou 2.554 infectados e 59 mortes em 30 dias – o que dá uma taxa de mortalidade de 2,31%.

Você pode ver os detalhes nos gráficos abaixo:

Casos de CoronaVírus no Brasil


Avanço do CoronaVírus


Esses números não refletem a realidade de outros países, já que tomamos algumas medidas preventivas no momento certo!

Agora, se reabrirmos o comércio, com isolamento parcial da população (apenas idosos e pessoas que se enquadram dentro do grupo de risco), podemos ter uma crescente MUITO maior do que os gráficos nos mostram atualmente.

Fazendo uma projeção, com base no avanço da contaminação em países como a Itália (com 50.418 pessoas infectadas em 52 dias), e levando em consideração os 2,31% de taxa de mortalidade aqui no Brasil, podemos “prever” que, nos próximos 3 meses, teremos 94.090 contaminações e 2.173 mortes.

Isso significa que serão, em média, 22 mortes por dia!

Bastante gente, não é mesmo?

Claro que essa é uma estimativa baseada no pior cenário já registrado até o momento!

Por outro lado, vamos analisar os números de falências e desempregos que podemos prever para daqui a 3 meses caso mantenham a paralisação total do comércio.

Vamos levar em conta os números de 2017 – última pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) sobre a quantidade de empresas que decretaram falência no Brasil.

As estatísticas mostraram que, em 3 anos, o Brasil teve 341,6 mil empresas fechadas – uma média de 113 mil por ano (pouco mais de 9 mil por mês).

Economia


Isso porque estamos falando de um cenário onde a economia estava ativa!

Neste mesmo ano, 2017, foi registrado um total de 14,2 Milhões de desempregados!

 

Taxa de Desocupação


Agora, com base nesses dados, quanto você acredita que esses números podem crescer nos próximos 3 meses de paralisação da economia do país?

Não da para definir, mas a previsão de muitos especialistas é de um verdadeiro colapso na economia do país – podendo chegar até a 50 Milhões de desempregados!

Sim, um aumento de 3X mais no número de desempregos que tínhamos em 2017!

Surpreendente, você não acha?

Esses números ficam ainda mais alarmantes quando calculamos o quanto isso pode impactar o Brasil!

Para você ter uma ideia, em 2017, quando tínhamos 14 milhões de desempregados, o Brasil registrou 5.653 mortes de casos ligados à desnutrição.

Mortes por Desnutrição


Uma média de 15 pessoas por dia – bem próximo dos números do COVID-19!

E esses números foram registrados quando a economia estava rodando sem paralisações e com muito menos desempregados do que está sendo previsto.

Com esses dados, eu te pergunto: você consegue imaginar o quanto esse número pode aumentar com 3 vezes mais desempregados do que naquele ano?

Eu não quero nem imaginar!

A pergunta que fica é: O aumento do desemprego no Brasil vai aumentar apenas o número de mortes relacionados a desnutrição?

Imagino que não. Isso vai influenciar muitos outros fatores – como o suicídio por exemplo! 

Isso mesmo! A falta de dinheiro é um dos maiores motivos de suicídio no país. Atualmente temos uma média de 31 casos por dia.

Já imaginou o quanto esse número pode crescer nos próximos 3 meses, quando os pais e mães de família começarem a ver seus filhos passando fome e não terem dinheiro para comprar comida?

Aqueles que vão se manter fortes em favor da vida podem partir para ações como: roubos, violência e assassinato!

E você já viu os números disso aqui no país quando a economia estava em perfeito funcionamento?

Os números são muito preocupantes!

Segurança Pública


Isso nos faz imaginar que o número de mortes no país, decorrente da crise na economia, vai ultrapassar, e MUITO, o número proveniente do COVID-19.

Fazendo uma analogia, é como se a crise na saúde fosse a ponta visível de um Iceberg, enquanto a crise econômica fosse toda a ENORME base que está escondida sustentando aquela imensidão de pedra de gelo.

Não é atoa que o presidente da maior potência mundial está convicto de que, em 3 semanas, vai reativar o comércio no seu país.


Com todos esses números, e com todas essas informações, poderíamos dizer que o maior perigo para o Brasil é a Crise Econômica, não é mesmo?

Mas não é isso que quero te passar aqui.

QUAL A CONCLUSÃO QUE SE TIRA DISSO TUDO?

Não existe uma que vai ser melhor ou pior diante desse cenário. AMBAS vão causar um estrago bem grande no país caso não seja tomada as devidas providências que elas merecem.

A minha visão sobre esse assunto é que, independente de qual crise vai trazer mais dor e sofrimento para a população brasileira, temos que focar em salvar vidas!

Porque, mesmo quando se fala em salvar empresas, salvar empregos e salvar a economia do país, como você bem percebeu, estamos falando em salvar vidas!

Afinal, sem dinheiro as pessoas morrem de fome, de falta de medicamento e de itens básicos como: gás, água e saneamento. E imagine se acabar ou reduzir drasticamente os itens nos supermercados?

Cada vida humana não tem preço, é justamente por isso que precisamos tomar medidas para que a menor quantidade de pessoas morram e sofram. Travar 100% a economia por muito tempo vai matar muita gente e criar um sofrimento absurdo e inimaginável.

Certo, mas então, qual a solução para tudo isso?

Sinceramente, eu não sei as melhores respostas. Não sou cientista, infectologista e nem economista. O que eu sei é que precisa haver um debate e um diálogo saudável entre a comunidade médica, científica e econômica para que decisões sejam tomadas.

Cada DIA de isolamento social total, com a proibição de funcionamento das empresas, aumenta drasticamente o problema econômico. Por outro lado, sei que um período de isolamento total é necessário para conter a pandemia do Coronavírus e a doença COVID-19.

As perguntas que precisamos responder são:

Quando é seguro os adultos saudáveis voltarem as ruas e ao trabalho?

Qual a melhor forma de fazer isso?

Quais medidas e precauções devem ser tomadas?

Precisamos cuidar da economia, assim como cuidamos da saúde, porque a falta de dinheiro, a fome, a pobreza, o caos social são um vírus muito mais letal que o coronavírus.

Temos que ser responsáveis com as duas crises: saúde e econômica.